A maturidade faz parte de um processo que tem um percurso que é chato e lento; significa que toda pessoa no seu crescimento enquanto ser humano para chegar nesta fase terá que aprender e viver para então atingir o complexo desenvolvimento físico, mental, comportamental, emocional, espiritual, entre outros;
Não há como ter experiência sem fazer o que só você deve fazer; como é que nós, pais, podemos ajudar? Minha sugestão é que sejamos Pai e Mãe, o que torna a trajetória desagradável para quem é filho, se atuarmos como controlador desse processo. Minha sugestão não é o Poder e Controle por si só, mas sim um contexto mais complexo de atuar, que muitas vezes exige de nós um pouco mais de humildade para trocar com eles de que às vezes também não sabemos, mas pretendemos protegê-los de situações perversas e prejudiciais;
Precisamos provocar a reflexão e o pensar sobre o comportamento exposto, de maneira a fazer perceber os ganhos e prejuízos de um comportamento inadequado e jogar alguns desafios que venha a fortalecer a Autoestima através de seus próprios recursos internos.
Acredito que enquanto pais, temos que lembrar que somos modelos dessa estruturação, e também parte deste momento tão complexo que é o desenvolvimento humano, está vulneráveis tanto quanto nossos filhos e às vezes é preciso ter humildade para parar e entender que precisamos aprender o caminho do meio, ou seja, temos o “Poder e o Controle” se não soubermos ter discernimento para atuar podemos por tudo a perder.
Ter medo faz parte desta trajetória de pai e mãe, o que não podemos é ficar alheio a este processo, sim alheio e ignorar o peso deste papel de tanta responsabilidade; nosso filhos fisicamente crescem muito no dia de hoje, por volta dos 14 ou 15 anos estão altos, parecem adultos, mas não o são. Quando pensar que o seu poder pode ter um efeito positivo ou negativo é importante refletir que o excesso de poder pelo poder pode ser catastrófico, e a falta dele pode ser o início da falta de responsabilidade e abandono;
Todo ser humano é vulnerável à dor, à rejeição e à humilhação, a diferença está em como lidar com esses sentimentos que ajuda na formação emocional. Quanto se trata de poder, este tende deixar cicatrizes na formação da personalidade, o que pode acarretar impotência e medo, e pode se estruturar psiquicamente a ponto de imobilizar a pessoa por toda uma vida emocional.
Em nossa sociedade o poder geralmente é utilizado para o controle, como utilizar a autoridade sem deixar prevalecer o Poder?
Será que estamos valorizando os esforços individuais ou estamos o tempo todo os comparando as métricas sociais de resultados que muitas vezes são inatingíveis, será que entendemos o que é individualidade? Personalidade? Vitória? Limitação? Diferenças Individuais? Será que a vida é uma competição em todas as esferas, ou estamos nos deixando levar por um sistema sócio econômico que dita o que devemos ter e ser o tempo todo;
Será que ser o Primeiro é mais importante que fazer o seu melhor, o que se pode dentro de sua própria realidade ou limitações;
Será que o comprometimento já não é suficiente para avaliarmos o caráter de nossos filhos, o quanto estamos atentos às demandas diárias dos mesmos, ou atuamos sistematicamente para dar conta da manutenção do sistema;
Será que estamos sendo mentores diante de seus desejos e vontades, ou replicamos o que a sociedade prega como verdade; muito importante lembrar que eles estão abertos, e poucos sabem o que querem ou gostam, estar atento a isso é mais importante do que propor e achar que a proposta que nos satisfaz o satisfaz.
A autoestima depende do amor que recebemos e do que gostaríamos de ter recebido enquanto ser humano, ela resulta do sentimento do que a pessoa é, e do que gostaria de ser, quanto maior a diferença entre o que somos e o que gostaríamos de ser, menor a autoestima. A falta desta resulta em comportamentos relacionais inadequados, exemplo: bulimia, anorexia, perturbação do humor, depressão, fobias, etc., está no cerne de grande parte das nossas questões. Conhecemo-nos quando aprendemos a valorizar as nossas diferenças e semelhanças com o outro, sem querer ter o que outro possui.
Estimular a encontrar o que gosta mesmo não sendo o que você idealiza é uma forma de não buscar nas drogas uma alternativa de prazer. É importante ser firme na crítica frente a ações que são consideradas erradas ou negativas, mantendo foco no motivo, razões ou princípios pelos quais a ação não é permitida. Não critique a pessoa ou sua inteligência; seu filho precisa ter a certeza de que pode falar contigo sobre qualquer assunto de seu interesse ou preocupação, que suas angústias possam ser expressas ou questionadas, e que não haverá censura ou julgamento, e para isso precisamos treinar e ele estará atuando para que você possa aprender, nunca o repreenda se o assunto lhe aflige, primeiro elabore e reflita no seu papel; você não precisa dar a resposta na hora, pense para que você possa ter uma resposta que o estimule a desafiar as situações difíceis.
O desenvolvimento psíquico começa na infância e termina na fase adulta, quando um indivíduo percebe uma provocação como um ataque, dificilmente há aprendizado e rapidamente há a defesa e a não aceitação do que está sendo exposto.
Julgo importante o constante refletir sobre os nossos comportamentos de Pais não no sentido de sermos plenos e completos, mas sim de estar em aprendizado, a cada ano de nossos filhos vividos, estaremos a aprender como eles, a como serem pai e mãe na idade que ele se encontra, neste contexto nunca seremos experientes, pois estaremos num aprendizado contínuo.
Quando damos aos nossos filhos o desafio de uma proposta de construção conjunta ele buscará os recursos internos e sua autoestima crescerá, pois ele estará sendo desafiado a participar da resposta; para fazer isso não podemos ser imediatistas e achar que as nossas vivências embora importantes deem conta de todas as situações. Precisamos capacitar os nossos filhos a lidar com as consequências de suas próprias escolhas, neste contexto cabe aos pais elaborar com eles o caminho de melhor resolução para cada situação, como dizia J.L. Moreno, ser espontâneo. Pois temos a experiência da vivência embora algumas vezes ela não condis com a realidade atual, podemos sempre fazer analogias na busca das respostas ou assumir as possibilidades de acertos e erros conjuntamente e quando preciso podemos também admitir que podemos recuar por não saber, pois é melhor recuar às vezes do que arriscar sem proteção frente às situações desconhecidas.
Neste contexto vale lembrar que estaremos viabilizando a atuação diretamente no interior da percepção de si mesmo. Acredito que nossa capacidade de influenciar será capaz de aumentar a autoestima e de prevenir nossos filhos de situações adversas, exemplo: as drogas, entre outras coisas. Todo resultado negativo advém de um processo negativo, ou seja, é verificado que nossos jovens hoje em dia buscam as drogas por não identificarem neles próprios uma razão maior para se desenvolver enquanto pessoa, e se verificarmos/analisarmos o contexto socioeconômico em que estamos vivendo temos pouco ou nenhum recurso para revertermos à situação vigente, em todas as classes sociais. Acreditamos que o processo para acabar com a crescente evolução do consumo de drogas pelos adolescentes começa desde agora, onde vossos filhos certamente terá uma percepção do mundo através de sua MATRIZ DE IDENTIDADE que são vocês PAIS (mãe/pai). E é por este motivo que estamos pedindo um pouco de reflexão sobre o assunto, pois por mais recursos financeiros que qualquer família disponha de nada adiantará se o indivíduo não possuir uma autoestima positiva. Estamos passando por um momento histórico em nosso país, onde em detrimento da evolução geral: empresas, educação, saúde entre outros; pensasse pouco no ser humano. Por isso a tendência do processo Político-Sócio-Econômico tende a muitas vezes a fazer com que nos esqueçamos de que somos seres humanos, mecanizando todas as nossas ações e pensamentos. “Quanto maior a nossa Autoestima”, mais inclinados estaremos a tratar os outros com respeito, benevolência e boa vontade, pois não o vemos como ameaça, e não os sentimos como “estranhos e amedrontados, uma vez que o auto respeito é o fundamento do respeito pelos outros”. E assim teríamos jovens se organizando melhor em grupos sem qualquer tipo de hostilização aos integrantes dos grupos que frequentam.

Valéria Fidélis
CRP. 06/45.571-5
Psicóloga, Pedagoga, Psicodramatista e especialista em Psicossomática.