• Valéria Cristina Fidélis, Psicóloga, Psicodramatista e Especialista em Psicossomática.

O processo de aquisição e enfrentamento da doença é entendido como a capacidade de lidar com relação do stress; um processo psicofisiológico, que desencadeia respostas gerais e específicas; para entendermos o processo de adoecimento, precisamos entender a psique (mente) e a soma (corpo); e a capacidade de adaptação do organismo aos agentes nocivos a saúde. Mello, Filhoe cols. (1992), definem o Ego como o conjunto de elementos orgânicos e psicológicos que uma pessoa entende como integrantes de sua estrutura. No processo de mitose as células em constante mutação podem transformar-se ou estar vulnerável para a instalação das doenças que podem ser reconhecidas pelo organismo como parte integrante do Ego e permanecer em desenvolvimento ao invés de ser expelido normalmente; entender a doença como externa e evasiva pode ser considerado um mito, pois seu desenvolvimento tem origem e faz parte do Ego, que em seu desequilíbrio ocorrido pelo estressor emocional não permitiu que o organismo se adequasse as vicissitudes de sua realidade e não reconheceu a doença (vírus/bactérias/câncer, etc.) como tal e as integrou como parte do sistema biológico, representando a ex. pressão de suas emoções.

As emoções são percebidas através da comunicação e o seu conteúdo ideológico, o indivíduo buscará através de sua percepção e expressão solucionar o estado que foi criado, se o processo for bloqueado a solução ficará prejudicada e a emoção ficará contida, então será manifestada indiretamente e de forma simbólica; a doença é o sintoma de uma emoção contida que não teve solução. Transformar uma situação stressante ao organismo depende exclusivamente do indivíduo, e da sua forma em lidar com o estímulo estressor (Ballone, e outros 2007).

Às alusões vivenciadas pelo doente através dos arquétipos coletivos sobre a morte pode possibilitar a ampliação da consciência; a pessoa mediante o vislumbramento desta visão arquetípica e através de sua personalidade, sendo uma unidade do todo; através da consciência encontra-se com o EU absoluto no Uno, tornando os acontecimentos sincrônicos de corpo, psique, tempo e espaço consciente, podendo através desde processo viabilizar as transformações de suas células e em consequência, a sua cura. Jung afirmava que a doença nos leva a fatos e que a psicoterapia ao bônus da doença que é o: conheça-te a ti mesmo. É preciso haver consciência da vulnerabilidade da doença que inconsciente instalou-se um sua estrutura psicorgânica, o descobrimento das diversas doenças em seu início pode sinalizar o nível de consciência de um indivíduo, este processo não acontece em pessoas em coma.

Através da psicologia analítica entendemos como fatores internos o inconsciente, que pode ou não determinar a ação sobre o livre arbítrio do doente em querer viver ou morrer ou ainda transcender através da morte física, como salienta Jung em seus estudos sobre a morte, acreditando no processo de mutação para o desenvolvimento de um novo ser. A proposta é olhar o doente e não a doença, os sintomas são expressões das emoções e podem ser utilizados para interferir na ampliação do olhar do doente de maneira que este busque o desbloqueio de suas emoções e consequentemente a estagnação ou eliminação da doença. A vivência do doente com os arquétipos coletivos sobre a morte possibilita o desenvolvimento do processo de transformação das células; e consequentemente pode restabelecê-lo, o irromper com o material coletivo que possui um significado extraordinário para o processo de cura.

Jung acreditava que o Self precisa de uma consciência para entender o Ego, Alma e o espírito, e é nela que se tem toda a possibilidade de cura e a possibilidade de atrair outras coisas e a gir no mundo provocando mudanças em si mesmo. E isto é resultante de forças da própria consciência, se está fragilizada, possibilita a abertura para entrar em um padrão simplificado.

Sendo assim, é preciso estar conectado com o todo, e este todo é o intra e extra psíquico, onde é preciso começar com o micro e aí, você avança para o macro. Muito embora para manter-se vivo ou curar-se é preciso ter um propósito de vida, vontade que contra o destino e as expectativas; viver seria alcançar o maior nível de desenvolvimento espiritual e de conscientização.

Referências Bibliográficas:

Ballone, Geraldo José; ORTOLANI, Ida Vani; NETO, Eurico Pereira. Da emoção à lesão: Um guia da Medicina Psicossomática. 2a. Edição. Barueri, SP: Manole, 2007.

ALEXANDER, Franz – Medicina psicossomática: seus princípios e aplicações. Trad. Fischmann Célia Beatriz. Porto Alegre: Artes Médica, 1989.

DAHLKE, Rudiger. A doença como linguagem da alma: Os sintomas como oportunidade de desenvolvimento. Trad. Pigantari, Dante. São Paulo: SP Cultrix, 2005.

JUNG, Carl Gustav. Os arquétipos e inconsciente coletivo – 5a. edição Tradução, Maria Luiza Appy, Dora Mariana R. Ferreira da Silva. Petropólis. RJ : Editora Vozes, 2007.

Moreno, Jacob Levi. Psicodrama. Editora Cultrix. São Paulo. SP: 1993 pag. 80 a 205.