Transcrever o estado de depressão só é possível quando há a inversão de papéis com os afetados pelo transtorno emocional. O preconceito dificulta o contato com dor do outro; ter consciência desta devastadora do amor só é possível através da troca: dar e receber, que viabiliza o deixar de ter uma visão unilateral do outro, tarefa difícil pois captar o mundo subjetivo e ater-se a dor sofrida na alma de uma pessoa é o que fará percebermos a situação vivida. Resgatar o ser humano em apuros e banido do contexto social é uma tarefa possível. O acolhimento e o direcionamento para os cuidados pertinentes a cura, podem resgatar a existência do outro. O afeto é um instrumento importante e o autoconhecimento é imprescindível para que a farmacologia não tome conta da essência do ser e cristalize o mesmo no sistema desta “magia” neuroquímica viciante; a cura é complexa, envolve a reversão do condicionamento sistêmico, mas a psicoterapia pode resgatar a personalidade do individuo e ‘despatologizar’ o curável e transformar a sensibilidade frente ao sistema que vivemos em doença. Não nos deixemos ser aniquilados pelo sistema, precisamos ter coragem de transcender os iguais.

Valéria Fidélis
Psicóloga, Psicodramatista e Especialista em Psicossomática
CRP.06/45.571-5

DEPRESSÃO