• ENCHENTES NO BRASIL

Como podemos ajudar?

Quantas vidas e pessoas partiram e estamos perdendo. Nas enchentes no Brasil; além do desgastante estes momentos de terror que assistimos em rede nacional, vivenciamos novamente as ruas sendo invadidas pelas águas; casas deslizando e levando todos os sonhos, pais, filhos e famílias perdendo os seus pertences, os seus lares e os seus entes queridos para o lado mais obscuro do ser humano que apenas se preocupa em acumular e a ter. Pergunto-lhes até quando iremos assistir estas perversidades humanas de acumulo e poder em detrimento do Ser? Apodrecimento sendo justificado por governantes como excesso da natureza, cadê o planejamento e a organização estrutural para a preservação das nossas comunidades. O intuito é passar a experiência de como em tal situação tão devastadora é possível dar apoio a estas pessoas que estão passando por uma vivência de luto. O sentimento de vazio e caos é enorme neste momento, as narrativas que se revelam nas mídias, nos mostra a dor, e a percepção de que se entrou num caos sem volta; não se sabendo por onde retomar, para aonde ir, ou a quem buscar, narrativas de sofrimento contínuo, perda de sonhos, frustração, angústia, levando-os a procurar amparo. De que maneira podemos iluminar e capacitar estas pessoas a retomar a vida, sendo que a vida que havia sido criada com tanto esforço muitas vezes se esvai a cada vez que a cidade inunda. A dor tornar-se suportável se de alguma maneira conseguirmos acreditar que ela terá um fim, embora em algumas situações só o tempo conseguirá cicatrizar perdas irreparáveis, neste contexto não podemos fingir que a Dor não existe e que não irá marcar a vida e as histórias destas pessoas. Antes de mais nada precisamos repensar que tipo de liderança precisamos ter neste nos nossos estados e no nosso País.

REFLEXÕES, PARA QUE POSSAMOS AJUDAR AS PESSOAS EM SITUAÇÕES DE RISCO:

1) Qualquer situação vivida por nós, faz parte da vida, seja ela anunciada ou não;

2) Insista na ajudar, oferecendo o que é viável para o momento, pessoas com Dor ou Enlutadas pode criar “Defesas”, exemplo: “não, está tudo bem vamos dar um jeito”.

3) O momento faz com que as pessoas se desorganizem por um determinado período; assim precisam ganhar segurança e acolhimento, estes viabilizará a capacidade de intender e vincular-se para aceitar a ajuda necessária.

4) A mente tem os seus recursos para limitar a desorganização que as perdas causaram-lhe, haverá oscilação, porém, haverá a retomada, importante lembrar que ao negar a realidade da perda (seja ela qual for: entes queridos ou perdas materiais), todas as pessoas dão a si mesmo a oportunidade de se prepararem para a retomada embora o trabalho de luto continuará.

5) Não crie dependência, lembre-se: as pessoas são criativas e temos que ter o cuidado de avaliar o quanto é importante a independência destas pessoas, precisamos acolher e estar disponível;

6) Ressalto que é muito comum a raiva e a irritabilidade no comportamento e variam de pessoa para pessoa. Às vezes, pode ser dirigida a você. Neste caso nunca desista de ajudar, lembre-se o enlutado está em elaboração das suas perdas. Não desista.

7) Perceba casos críticos, em alguns casos as pessoas devem ser levadas ao Pronto Socorro, principalmente se houver algum comportamento de inquietação não controlável; neste contexto a pessoa pode ter entrado em choque e precisará de ajuda medicamentosa.

O QUE FAZER?

1) Levar as pessoas para um lugar de atmosfera de apoio e compreensão mútuos, onde há outras pessoas que estão passando por situações semelhantes.

2) Retirar as pessoas da sua identificação com o local que moravam, levando-as as desconexão com o ambiente perdido, enfrentando a realidade da perda e com a irreversível ausência dos seus recursos de moradia.

3) Muito comum levar as pessoas para abrigos onde há o grupo de apoio (várias pessoas na mesma situação, exemplo: escolas e instituições públicas).

4) Reduzir sentimentos de inadequação, riscos e caos.

5) Estimular a comunicação. Aprender/trocar as experiências com outras pessoas.

6) Assegurar ajuda na obtenção de serviços especiais na comunidade. Unir-se para efetuar mudanças pessoal e social;

7) Aprender a lidar com a própria dificuldade; desenvolver a autocrítica;

8) Quebrar a autoimagem: “está tudo bem”, ou ainda: “só eu estou sofrendo tanto”;

9) A ajuda deve ser diretiva, de resgate. Exemplo: psicológica, médica, espiritual ou legal, não cabem aqui conselhos.

10) Trocar a culpa: “Porque isso aconteceu comigo” Por: “O que eu posso fazer daqui para frente para buscar a reorganização e o tocar a vida”. Estimular a pensar: planos para o futuro, voltar a se alimentar como antes; dormir melhor; voltar a energia e capacidade de cuidar das coisas cotidianas; tomar as próprias decisões; sentir livre para rir e se divertir.

Pode criar os grupos de apoio, que servirão de um espaço de interação e reflexão, voltado para expressão e universalização dos sentimentos; possibilita a revisão das suas próprias dores; reduz os sentimentos de inadequação; e estimula o reinvestimento em novos objetivos.

IMPORTANTE:

Um grupo de apoio começa no mínimo com 3 pessoas e chega no máximo a 12, podendo se formar diversos subgrupos.

As pessoas devem ser estimuladas a compartilhar as suas vivências, dando e recebendo orientações para resolver os problemas pessoais que precisam ser resolvidos neste contexto, é sempre bom identificar e agregará muito ao grupo os saberes como o da Psicologia, Enfermagem, Direito e Assistência Social e outros. É necessário criar encontros que viabilizarão a reflexão das questões trazidas, direcionando-as para a busca de soluções adequadas para o momento. Os encontros podem ser feitos 2 horas por semana com data e hora marcada, ressalto que é necessário ter uma finalidade de reorganização e um fechamento para checar se todos estão entendendo o que está ocorrendo. O grupo deve eleger um líder natural que tenha habilidade com grupos e que seja uma pessoa que tenha as suas perdas e lutos elaborados; a participação e o convívio de cada integrante serão de grande importância para estimular as ações pertinentes de retomada para a vida, o que refletirá na busca das mudanças necessária no reinvestir na vida e nos sonhos.

Valéria Fidélis

CRP. 06/45.571-5

(11) 9 9995 9092

Psicóloga, Psicodramatista, Especialista em Psicossomática,

larga experiência em Luto, Perdas e Emergências.